{"id":168,"date":"2014-01-09T16:42:28","date_gmt":"2014-01-09T16:42:28","guid":{"rendered":"http:\/\/nemaconectores.com.br\/home\/?p=168"},"modified":"2014-01-09T16:42:28","modified_gmt":"2014-01-09T16:42:28","slug":"energia-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nema.ind.br\/home\/?p=168","title":{"rendered":"Energia Nuclear"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jean Marc Sasson &#8211;<\/strong>\u00a0Desde o desastre natural ocorrido no Jap\u00e3o em mar\u00e7o deste ano, a energia nuclear est\u00e1 em foco. Tido como um dos pa\u00edses mais seguros do mundo, o Jap\u00e3o se viu envolto em uma das maiores crises nuclear da hist\u00f3ria, superada apenas por Chernobyl, em raz\u00e3o de um Tsunami causado por um dos terremotos mais fortes dos \u00faltimos tempos. Uma de suas usinas, em Fukushima, foi atingida contaminando \u00e1reas em at\u00e9 30 km de dist\u00e2ncia.<br \/>\nFazendo parte da matriz energ\u00e9tica de v\u00e1rios pa\u00edses, a energia nuclear sempre foi pol\u00eamica. Em raz\u00e3o das consequ\u00eancias desastrosas em caso de vazamento de radia\u00e7\u00e3o e pela destina\u00e7\u00e3o inadequada de seu lixo at\u00f4mico (res\u00edduo produzido na produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica) \u2013 hoje j\u00e1 h\u00e1 estudos para reutiliz\u00e1-lo como fonte de energia \u2013 ela se tornou uma alternativa n\u00e3o muito bem vista, apesar de ser uma energia limpa ao n\u00e3o emitir CO2.<\/p>\n<p>A partir deste epis\u00f3dio, tanto o Jap\u00e3o como outras na\u00e7\u00f5es passaram a rever sua matriz energ\u00e9tica e seus planos em investimento em energia nuclear. O Jap\u00e3o possui 54 usinas nucleares que correspondem a 29% de sua matriz energ\u00e9tica. Diante do desastre nuclear, anunciou a paralisa\u00e7\u00e3o de suas usinas e suplementou a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica com\u00a0 usinas t\u00e9rmicas a carv\u00e3o que antes j\u00e1 correspondiam a 27% da sua matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Outras na\u00e7\u00f5es como a Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, B\u00e9lgica, China e Fran\u00e7a est\u00e3o entre as mais dependentes da energia nuclear, sendo esta \u00faltima a maior, com 78% de sua matriz energ\u00e9tica baseada na produ\u00e7\u00e3o de energia de 58 usinas nucleares. A Alemanha, na semana passada, anunciou que pretende desativar suas usinas nucleares at\u00e9 2022 e ter sua matriz energ\u00e9tica 100% limpa at\u00e9 2050. A China, por sua vez, cuja matriz energ\u00e9tica \u00e9 a mais suja do planeja pautada em usinas t\u00e9rmicas, \u00e9 o pa\u00eds, atualmente, que mais investe em energia limpa e renov\u00e1vel, principalmente a e\u00f3lica e solar.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante o movimento mundial contr\u00e1rio aos investimentos em energia nuclear, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou no dia 1\u00ba de junho a Medida Provis\u00f3ria (MP) 517, que, entre outros itens, cria um regime tribut\u00e1rio especial para a constru\u00e7\u00e3o de usinas nucleares. Este incentivo ao Desenvolvimento de Usinas Nucleares (Renuclear) foi desenvolvido especialmente para atender as expectativas em torno da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. O Renuclear isenta de pagamento de Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importa\u00e7\u00e3o as compras de equipamentos, insumos e materiais de constru\u00e7\u00e3o para a instala\u00e7\u00e3o dessas unidades nucleares.<\/p>\n<p>A MP, no entanto, ser\u00e1 ainda votada no Senado. Fora isso, o governo pretende manter a estrat\u00e9gia de mais quatro usinas at\u00e9 2030, como previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, hoje em revis\u00e3o. Embora haja o interesse em aumentar o n\u00famero de usinas, preocupa a aus\u00eancia de um plano de emerg\u00eancia adequado \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de uma usina nuclear. Apesar de serem remotas as chances de o Brasil ser atingido por cat\u00e1strofes naturais como as que devastaram parte do Jap\u00e3o, as usinas brasileiras t\u00eam capacidade para suportar um terremoto de at\u00e9 7 graus na escala Richter ou mesmo a queda de avi\u00e3o de grande porte sobre suas estruturas, segundo informa\u00e7\u00f5es da Eletrobras Eletronuclear.<\/p>\n<p>Isso por certo n\u00e3o \u00e9 o bastante. A rota de fuga, a estrada Rio-Santos ou BR 101, \u00e9 constantemente interditada por desmoronamentos de terra em qualquer tempestate. Imagine quando houver um acidente nuclear? Outro problema \u00e9 a capacidade de retirada de apenas vinte mil pessoas em um raio de apenas 5 km, enquanto a cidade de Angra, hoje, possui mais de 170 mil habitantes. Fica claro que a cidade de Angra n\u00e3o comporta qualquer tipo de amplia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de usinas, enquanto problemas de seguran\u00e7a das atuais usinas n\u00e3o forem solucionados.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante tais problemas com Angra 3, a implanta\u00e7\u00e3o de novas unidades dobrariam a fatia da fonte nuclear na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade do pa\u00eds, para 5%. Este crescimento, al\u00e9m da expans\u00e3o do g\u00e1s natural, de 2,6% em 2009 para 8%, se daria em detrimento da retra\u00e7\u00e3o da fatia da hidroeletricidade, fonte limpa e barata que baixaria de 85% para 78%. Al\u00e9m disso, as energias vindas da biomassa e dos ventos tamb\u00e9m sofreriam uma leve redu\u00e7\u00e3o. Juntas, elas respondiam por 5,7% em 2009 e cair\u00e3o a 5% em 2030.<\/p>\n<p>Este\u00a0<a title=\"planejamento energ\u00e9tico\" href=\"https:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/tag\/planejamento-energetico\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">planejamento energ\u00e9tico<\/a>\u00a0brasileiro, a meu ver, est\u00e1 totalmente equivocado. O Brasil est\u00e1 investindo em fontes que embora sejam limpas, s\u00e3o dentre todas as possibilidades as mais impactantes. Fontes como a biomassa, e\u00f3lica e solar, em abund\u00e2ncia no Brasil e com grande potencial de desenvolvimento, necessitam hoje de forte investimento federal para baratear suas pesquisas na busca de um\u00a0 pre\u00e7o de oferta final mais acess\u00edvel. Al\u00e9m disso, programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica deveriam estar no foco do investimento.<\/p>\n<p>Para Luiz Pinguelli Rosa, um dos cientistas mais proeminentes desta \u00e1rea, diretor da Coppe\/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, esse investimento equivocado em energia nuclear sequer seria uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional. Seria simplesmente uma quest\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Ele comparou o pre\u00e7o entre as diferentes fontes de energia limpa, demonstrando que hoje a fonte hidr\u00e1ulica \u00e9 a mais barata. Nos seus c\u00e1lculos, o custo da energia hidr\u00e1ulica est\u00e1 em cerca de R$ 78 o megawatt-hora (MWh), j\u00e1 considerados os projetos de Belo Monte (PA) e do Rio Madeira (RO). A tarifa da energia e\u00f3lica e da gerada a partir do g\u00e1s natural est\u00e1 em torno de R$ 150 o MWh, enquanto a da energia nuclear giraria em torno de R$ 250 o MWh,\u00a0 sem contar o investimento em Angra 3, de R$ 9,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Sou nacionalista, desenvolvimentista e, sobretudo, ambientalista. N\u00e3o sou daqueles que pensa que o que serve em outros pa\u00edses, serviria para o Brasil e vice-versa. Contudo, neste caso em espec\u00edfico, quando grandes pot\u00eancias observam as poss\u00edveis consequ\u00eancias da energia nuclear, optando em investir em outras fontes de energia limpa, ao passo que o Brasil sequer rev\u00ea seu plano de emerg\u00eancia, investindo na amplia\u00e7\u00e3o de suas usinas em detrimento de outras\u00a0<a title=\"alternativas\" href=\"https:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/category\/alternativas\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">alternativas<\/a>\u00a0mais baratas, causa-me grande preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somos um pa\u00eds com\u00a0 milhares de possibilidades por possuirmos a maior biodiversidade do mundo, \u00e1guas fluviais a perder de vista, luz solar o ano inteiro, ventos quase intermitentes no Sul e Nordeste e ainda assim, optamos pela energia nuclear.<\/p>\n<p>\u00c9 louv\u00e1vel o esfor\u00e7o em tornar nossa matriz mais limpa, mas a op\u00e7\u00e3o \u00e9 fatalmente equivocada.<br \/>\nQue os ventos de Fukushima ventem em Bras\u00edlia e dissolvam esta ideia.<\/p>\n<p><strong>* Jean Marc Sasson \u00e9 advogado com especializa\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o ambiental pela COPPE\/UFRJ. O colunista tamb\u00e9m \u00e9 editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com)<\/strong><\/p>\n<p>FONTE: www.ambienteenergia.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jean Marc Sasson &#8211;\u00a0Desde o desastre natural ocorrido no Jap\u00e3o em mar\u00e7o deste ano, a energia nuclear est\u00e1 em foco. 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